Times. Hard Times.

Se há alguns anos atrás me dissessem que teria que passar pelo que estou a passar diria que não teria forças. Que não seria capaz. Que a minha fraqueza seria sempre maior que a minha garra. Ninguém sabe o quão forte é até ser posto à prova. E isto é mesmo verdade.

Este ano tive o pior dia de aniversário de todo o sempre. Lembro-me que no dia em que fiz 30 anos, tinha uma sala cheia de amigos e um coração vazio de quem me era importante. Enquanto apagava as velas chorei o tempo todo e nunca ninguém percebeu que me faltavam os pais naquela sala. E era por isso. Apenas por isso.

Nunca, como este ano, quis que o dia acabasse rápido. Não atendi telefones, não respondi a mensagens, não me encontrei com amigos. Eram 10 da manhã e sozinha naquele hospital aguardava pelo veredicto do médico que traçará a vida do meu pai (a minha e a dos que lhe são próximos) nos próximos meses. O médico não poderia adivinhar que eu fazia anos. Ouvi tudo. Com um nó na garganta que me toldava a voz apenas perguntei: “Quanto tempo”? Depois o dia ficou escuro, muito escuro. Não mais quis saber que fazia anos, nem de felicitações, nem de bolo, nem de mensagens, nem de nada de nada. Era esperar que o dia se fundisse noutro.

Nestas alturas conseguimos perceber em que patamar a nossa vida se encontra. Do que somos capazes de fazer em dias com 48 horas de execução e 24 de realidade. Conseguimos perceber o quão forte somos, a força que damos aos outros, a força que o sangue tem e como a vida se inverte.

Não sou pessoa de bradar aos quatro ventos a situação em que estou, seja ela boa, fabulosa, ou de fossa. Tão depressa me vêem de cabeça erguida com uma situação, como com outra. A idade está a fazer-me rija que nem uma pedra, mas nem as pedras são todas iguais..

Passaram alguns dias desde o dia em que deveria celebrar a minha volta ao sol. Só hoje consegui desculpar-me, agradecer. Vivo uma hora de cada vez. Por agora é como consigo.

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