True.

Tão isto.

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Hope.

Nem sempre consigo ser a forte. Mas a maior parte das vezes a que me proponho a tal, consigo. Nem sempre consigo não deitar uma lágrima, mas a maior parte das vezes ninguém me associa a alguém que sequer seja capaz de chorar.

Sexta feira de um Agosto muitas vezes estranho mas que neste dia se vestiu de uns maravilhosos 33 graus só assim para ser diferente. Sala de espera do hospital cheia e eu aguardo a vez em que chamariam o nome do meu pai. Estou ao lado dele a acalmar-lhe os nervos (mal sabe ele que quando sopro não é nada do calor mas sim para libertar os nervos que se acumulam em mim). Já combinámos que (como das outras vezes) entrarei eu primeiro. Porque é melhor assim, porque a linguagem dos médicos é tanta vez gelada como o gin tónico e não há necessidade de se ouvir friamente aquilo que já sabemos.

Passa uma hora e meia da marcação e oiço o nome. Entro, escuto tudo, visualizo tudo, e acerto agulhas com o médico quanto à operação. Mal sabe ele o quanto tremo por dentro no alinho da mulher que se lhe apresenta pela frente. Sempre forte, sempre de olhar atento a tudo escutar. Se não fosse um exame (o tal) ficar-se-ia em águas de bacalhau (mais uma vez). Não, as biópsias não são conclusivas. Quase nunca. Pelo menos nesta história.

O meu pai entra para ser observado. Fico cá fora. Das colunas sai o “Losing My Religion”, olho para a porta em frente e foco-me nas estrelas.

Há muitas voltas a dar num corropio de papelada a tratar. Trato de tudo. Compro água ao meu pai e trago-o a casa para voltar de novo. Como papas Pensal num minuto e regresso.

Sabemos todos que a história podia ser mais feliz mas sabemos que se outros órgãos (os principais) não estão afectados por nada, então é tempo de olhar as estrelas e acreditar. Sou pessoa de acreditar. Isso ninguém me pode tirar. Não vou perder a fé nem o foco no meu pai. Nunca.

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Hoje.

Chegados ao grande dia, de tudo saber, do rumo traçar. É com angústia que me levanto, me despacho, e sei que tenho que ser forte. O meu pai está nas mãos de Deus e dos médicos…

Tempo de ir buscar forças ao armário das (forças) suplentes.

Um bom dia para esse lado.

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Banho 29.

Cumpre-se hoje a tradição do banho 29. Quem conseguir, deve tomar um banho de mar, ou de piscina, ou o que seja, o que interessa é tomar banho.

Já estamos quase no fim de Agosto e amanhã vai ser um dos dias mais decisivos da minha vida. Nem sei se o tempo passou depressa ou devagar. Há um limbo nesta gestão de ansiedades que é tramado. Já me diziam “A espera é o pior”..Vamos ver se é.

Bom dia para esse lado.

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Quarta.

Meio da semana. Acordei muito cedo e já passei tipo as 4 estações do ano. Acordei e era de noite, completamente de noite. Saí de casa com chuva miudinha, já passei por chuva forte, e agora brilha o sol. Pelo sim pelo não venho de vestidinho caicai mas com uns ténis, preparada para o que vier.

Bom dia para esse lado.

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