Do que não depende de ti e do que nada te acrescenta..

Já aqui escrevi sobre a praia.

Eu adoro praia. Adoro tomar banho no mar, não me faz impressão nenhuma a areia, sou capaz de estar horas a apanhar sol (desde que tenha a cabeça e o livro à sombra).

Gosto da forma despreocupada que se vive na praia. Do sermos todos iguais, quase como viemos ao mundo. Gosto da mistura de classes sociais e de como se percebe que a beleza e a riqueza não andam de mãos dadas, porque Deus quando distribui a beleza não olha a contas bancárias. Podemos ver sinais exteriores de riqueza na praia mas isso é apenas parvo e muito raro.

Por exemplo na Comporta, no Carvalhal os adultos tratam as crianças por você e vice versa. A mim não me choca que uma criança trate os pais por você porque sempre assim tratei os meus, mas o inverso já me faz impressão. Nestas praias, tal como em Tróia, na praia do Pego, em Melides há uma série que se considera “de bem” que teima em ser de uma imposturice do pior. As crianças, as tais Caetanas, Carlotas, Bernardos vendem colares e pulseiras à entrada da praias. Tudo imensamente beto, porque sei lá é chique e dá para fazer uns trocos. Nunca lá comprei nada, até poderia ajudar as crianças tadinhas, mas é ouvir as mães..”Manel, vá lá, tem que ser persuasivo com as pessoas, senão não se safa”..e aquilo mete-me assim um bocado de impressão.

Na praia todos, ricos e pobres, mostram de igual modo as suas fragilidades. Todos têm de igual modo aquele bocadinho de banha que nem o Dr.Tallon nem a dieta da Roquete foram capazes de aniquilar, os fungos nas unhas, os cabelos desgrenhados pelo sal das águas, ali assim ao natural sem brushing ou afins, aquelas fragilidades que as roupas de grife escondem mas que na praia, meus amigos, ficam a descoberto..

Na praia não há dinheiro, mesmo que uns fiquem em espreguiçadeiras e outros na areia dura. Mesmo que uns levem até a feijoada na marmita e outros se deliciem com um cocktail do bar de praia..

No estacionamento é que talvez comece a diferença. O Sr Zé do Fiat Punto calhou a estacionar ao lado do Salgado que tem um Porsche. Lá na praia não se percebe quem é quem, mas senhores, aqui no estacionamento é onde começa a vida e aqui os cavalos começam a fazer a diferença..

É tudo mais fácil no areal.. lá onde o Zé e o Salgado são iguais, compram as bolas de Berlim ao mesmo senhor e queixam-se ambos da água gelada.

A água gelada, o vento, as algas, não dependem de ti ou de quem quer que seja. Não há dinheiro que mexa na natureza e isso é tão, mas tão bom.

Bom dia para esse lado

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