Fim do mês.

E do nada já é fim do mês, e daqui a outro nada é Natal…Este também é o tempo da família, da alegria de todos estarmos juntos. Este ano vai ser duro, violento e triste, muito triste, para mim. Quero dar a volta mas não consigo. Quero estar bem e tenho um nó na garganta que não me sai. Chorar faz bem e tantas, tantas vezes engulo para dentro…

Este tem que ser um tempo de erguer. Mas como se consegue isso?

Bom dia para esse lado.

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Black Friday.

Não sou muito dada a enchentes. Sofro um bocadinho de pânico de multidões, e detesto estar em filas gigantes para pagar artigos, detesto aglomerados de pessoas, roupas desarrumadas, provadores cheios de cotão. Mais um ano em que não fui a um shopping em dia de Black Friday. Para ser sincera acho que nunca, mesmo nunca, fui a um shopping em dia de Black Friday.

Mas hoje foi diferente. Hoje tentei ir. Hoje fui parva e tentei ir. Tentei pela primeira vez ir ver como era. Subi a avenida de acesso ao shopping e como se já não bastasse ver todos os carros já mal estacionados fora, as filas intermináveis em todos os acessos, ainda me fui (tão parva, meu Deus!) enfiar para um dos pisos subterrâneos. Eram tantos os carros, tantas as pessoas, tantos os sacos, que, ainda dentro do carro, a conduzir em fila fiz o caminho inverso, dei meia volta e fugi. E senti um alívio tão grande por nem sequer me ter dado a sorte grande de aparecer um lugar para estacionar. Senti um peso fora dos ombros e respirei fundo por aqueles 15 minutos inimagináveis. E vi dezenas de sacos da Primark e interrogo-me sobre o que leva as pessoas a irem à Primark em dia de Black Friday?!

O que pretendem as pessoas no Black Friday? Aproveitar descontos de 20% para adquirir aquele artigo de sonho por menos tuta e meia?! Comprar presentes de Natal com descontos?! Andar às compras com amontoados de pessoas?!

Quando saí fui a outro local, precisava de comprar fiambre para a pizza caseira que ia fazer. Neste sítio havia muitos lugares para estacionar. Não há grandes marcas, não há lojas de roupa, só decoração e calçado. Pus-me a pensar que se calhar seria hoje a primeira vez que me estrearia a comprar umas pecinhas de roupa no site da Zara. De manhã tinha colocado umas coisas de parte (no tal cesto imaginário) com os tais 20% de desconto, que não me enchiam as medidas, mas pelo menos eram umas peças pretas de que gostava. Agora, depois de jantar e já de pijama, lá fui toda lampeira fazer a minha primeira encomenda de roupa..Tudo o que tinha escolhido, esgotou, não só nos meus tamanhos como em todos. Poderia dizer que não há coincidências mas acho mesmo que não sou pessoa talhada para estas coisas.

O meu estado de espírito também não é o melhor todos sabemos, mas caramba, havia mesmo necessidade de não me terem deixado nem sequer uma peça, assim para amostra?!

O meu Black Friday está feito. Falta uma hora para o fecho das lojas e tenho a certeza que estarão à pinha até por volta da uma. Lembro-me bem dos tempos em que trabalhava nestas coisas e nestes dias ninguém quer saber de quem lá trabalha..querem aproveitar a poupança, os descontos, a sensação inglória dos bons negócios. Pensam que se adquirem grandes pechinchas. Só que não.

Faltam 25 dias para os saldos, pessoas!! Era o que me apetecia hoje ter gritado.

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Bom dia!

Diz que é sexta, Black Friday. Dia das pessoas gastarem o que têm e o que não têm. De se deixarem iludir por descontos de 20% quando em menos de um mês está tudo com saldos que chegam aos 60%. Eu própria tinha duas opções, ou arrancava manhã cedo para agarrar as melhores oportunidades ainda com tudo arrumado, ou deixava-me ficar na cama a ouvir o som da chuva a cair com um saco de água quente na barriga. Adivinhem lá qual escolhi?! A segunda, claro. Não preciso de quase nada, e posso aproveitar uma ou outra coisa, mas nada que me faça ir a correr..

Está uma chuva descomunal, é Inverno do puro. Adoro ouvir a chuva a cair.

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