O nosso SNS e a vergonha do ULSLA!

Nem sempre é fácil para mim escrever.. Muitas vezes falta-me a capacidade, falta-me a força, falta-me a vontade..

Os últimos meses foram tudo menos fáceis para mim. Saber que o meu Pai tinha um tumor raro e agressivo fez-me correr a toda a velocidade numa maratona interminável que bem vistas as coisas ainda não terminou porque, de facto, ainda não serenei…

Tal como aqui tinha dito, nesta sexta feira agarrei no meu caderninho e rumei ao Hospital para fazer a reclamação no livro amarelo. Não me permiti a mim própria guardar para mim a revolta e a indignação que sinto.

Desde Abril que o meu Pai teve internamentos sucessivos, teve inúmeros exames (dentro e fora do Hospital) e inúmeros procedimentos hospitalares. No último internamento e praticamente desde o dia 1 de Outubro que o meu sentimento era de que o meu Pai (e eu também) era “persona non grata” dentro daquela enfermaria. Não suportava aqueles olhares de lado sempre que eu questionava alguma coisa (e se eu questionava!). Pela enfermaria do meu Pai foram passando inúmeras pessoas, homens, mulheres, novos e velhos, com problemas mais leves ou mais graves..Na mesma cama permanecia o meu Pai. Com uma situação a agravar-se de dia para dia, sem melhoras, pelo contrário. Num mês o meu Pai perdeu todas as faculdades..alimentar-se, abrir os olhos, sorrir, falar, andar, levantar-se. Perdeu tudo, tudo, menos a consciência. Num mês eu gastei quase 4000 mil minutos de chamadas telefónicas em busca de uma solução para o meu Pai. Liguei para centenas de sítios, falei com centenas de pessoas, pedi aconselhamento, desabafei, relatei o sucedido, chorei, desesperei e nos entretantos alimentava o meu Pai impedindo o médico de lhe colocar uma sonda naso gástrica. Fui sempre a força que não se abala, o gigante com pés de barro que enfrenta e é agressivo e antipático se assim tiver que ser, mas que não dá o braço a torcer. Chorei quando o meu Pai tinha os olhos fechados e tentava ser o sorriso em pessoa sempre que os abria. Fiz-lhe a barba, cortei unhas, fiz fisioterapia, dei comida na boca, tirei comida da boca, lavei dentes e tive semanas a chá e torradas por nada conseguir comer. Fiz tudo, fizemos tudo, o que estava ao nosso alcance.

Foi gigante a pressão da alta. A minha reclamação teve a ver com isso. Porque não foi o meu Pai colocado nos cuidados paliativos?! Para que serve esse serviço?! Porque lhe deram alta, para voltar ao Hospital passados 3 dias e já com morfina morrer passados 2?! Porque se obriga o doente, a família, a passar por isto?!

Nunca me calarei. O Hospital do Litoral Alentejano (ULSLA) é uma vergonha! Não sei se é um “pressing” politico, se há toda uma concertação para que acabe de uma vez por todas, sei que me parece estar pela hora da morte.

Nes sexta fiz tudo o que queria. Falei com toda a gente e fiz questão de ir levantar em pessoa o relatório da anatomia patológica que pasme-se, ainda não está pronto. Chorei de novo ao atravessar os corredores porque ao subir ao piso 2 já não teria o meu Pai na cama 7. Chorei de revolta, de indignação, de tristeza e de Saudade.

Choro muito mas tenho a certeza que para defender o meu Pai o gigante elevar-se-á de novo e tudo levará à frente..

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