Last one of the year.

Último dia do ano. Deste que foi tão duro. Deste que foi dos anos mais marcantes da minha vida. Deste que eu, honestamente, quero que acabe rápido.

Ontem passaram 22 anos do meu acidente. 22! Agora,a olhar distante, vejo que a morte é o pior dos males. E estive ali rés vés campo de Ourique. Consegui ficar apenas com marcas no rosto. E algumas na alma. As do rosto eu escondo, a cada dia. Como se não quisesse que fizessem parte da minha história. Mesmo com a cirurgia de correção são feias e tenho que as ver e com elas conviver. Diariamente. Vejo agora que isso não é nada. Haja saúde. Hoje e Sempre, Haja Sempre Saúde!

Bom dia para esse lado.

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Bom dia, domingo.

Está de novo um sol maravilhoso, e apesar do ranho, dos atchins, das dores de garganta, do torcicolo, das dores de cabeça, é tempo de erguer a cabeça e enfrentar esta luz..

Bom dia para esse lado.

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Lá está..

Ainda de encontro àquilo que eu falava…Acredito mesmo que agora, neste momento, tenho que ser eu a arranjar força interior para me reerguer. Não posso esperar que sejam os outros a dar palmadinhas nas costas, com falinhas mansas. Tenho que ser EU.

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Último sábado do ano.

Está o ano praticamente terminado, cá por mim que termine rápido para ver se inspiro fundo e recomeço uma nova jornada, com o pé direito, de cabeça erguida.

Não vejo a hora de voltar ao ginásio (ainda que lentamente), de voltar a sorrir (ainda que a meios sorrisos), de conseguir tolerar a cor (nem que me tenha que forçar a isso)..

Um bom dia para esse lado, está um sol fantástico.

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26.

Dia 26.

Parece que o Natal está passado. Falta só a azáfama da troca de presentes. Na verdade tenho só que trocar umas peças que tinha comprado para mim. A pressa de não experimentar resulta nisto.

Daqui a nada estamos em 2020. O tempo voa. E que este ano termine. 2019 foi assim só o pior ano da minha vida.

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