Irishman.

Se me dissessem que seria capaz de estar 3 horas e meia a ver um filme, diria logo que só em sonhos. Não vejo televisão 3 horas e meia seguidas, nem leio um livro 3 horas e meia seguidas. Tenho que fazer pausas, tenho que levantar os olhos do que estou a fazer.

Há muito tempo que não vou ao cinema. Com grande pena minha confesso porque acho que o cinema continua a ter uma atmosfera de magia que não se consegue em nenhum outro écran por maior que seja. Tenho muita coisa ao meu dispor mas não tenho visto nada, não tenho lido nada, não tenho quase ouvido nada. Já aqui falei dessa minha incapacidade que tento não divulgar muito e que apenas reporto aqui por ser o meu canto onde sinto que posso ser eu. Hoje vi este filme, “O Irlandês” porque supostamente era um filme “assim e assado”. Uma produção milionária com milhões envolvidos. Um filme de Martin Scorsese com Robert de Niro, Al Pacino, enfim um elenco de luxo. Não li sinopses como quase nunca leio em filmes que vejo ou livros que leio.

3 horas e meia é muito tempo! Para um filme é demasiado, para uma conversa interessante não é nada. Lá está.

Consegui ver o filme mas graças ao Robert de Niro que é assim o melhor actor que o mundo do cinema tem. Um actor exemplar, com um trabalho irrepreensível e que capta a atenção seja em que filme for. Confesso que vi muitas vezes quanto faltava para acabar, confesso que fechei as pestanas por minutos, confesso que precisava de algo mais para me ter agarrado ao filme. Faltou-me o suspense, a curiosidade. Mas é de facto uma grande obra que merece ser vista.

O filme não está no cinema está apenas no Netflix, não sei bem porquê mas porque alguém assim decidiu. Não comi pipocas, mas fui à casa de banho várias vezes e precisei de pausas sim. E foram algumas.

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Sunday.

Domingo. Sol. Frio. Dores de barriga e cabeça. Preguiça. Faz-me falta o desporto que nunca mais fiz, as gargalhadas que nunca mais me ouvi. Ainda não tenho as prendas de Natal compradas na totalidade. Nunca tive um ano como este. Mesmo verdade.

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Do não conseguir…

Vai haver uma altura em que vou voltar de novo a ser quem era. Vai haver uma altura em que vou de novo conseguir realizar projectos num tempo recorde. Em que não me vou enganar em nada, absolutamente nada no que ao trabalho diz respeito. Vou conseguir de novo enfrentar multidões e ver séries e filmes e programas sem estar sempre a chorar. Em que vou cumprir o que as pessoas me dizem “A vida é sempre em frente” logo eu agora que me perco constantemente por ruas e vielas…

Vou ser capaz de voltar a ler um livro, de ouvir música, de sair com amigas, de comprar roupa e ser tudo fácil de encontrar. Vou ser capaz de fazer tudo o que sempre fiz. E voltar a ser quem era. Neste amontoado de uma pessoa toda estilhaçada, por agora não sei bem quem sou, de facto.

Estive muito forte quando teve que ser. Admirava-me como é que a florzinha virava rocha assim do pé para a mão, sem sequelas nem mazelas. Foi sol de pouca dura minha gente. Foi mesmo sol de pouca dura…

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