Ó Elsa!!

Já passa da meia noite e a minha tosse incomoda até as pessoas dos prédios ao lado. É assim há muitos anos sempre que tenho tosse. Andei alguns dias a ameaçar. Dores de cabeça incríveis, dores de garganta, dores de corpo e agora a tosse. Sempre esta maldita tosse!

Tive um dia daqueles. Ultimar trabalhos, enviar recibos, ir com o pequeno ás compras, voltar. Tudo sempre debaixo de uma tempestade brutal. Há bocadinho em conversa com uma vizinha dizia-me que era mais seguro se fosse tirar o meu carro de onde estava porque a árvore ao lado abanava ferozmente a cada sainete desta Elsa. Lá fui eu de pijama (escondido) debaixo de chuva daquela que faz parte dos primeiros actos das tempestades fortes. Deixei de ter luz mais de 20 vezes, perdi a Internet, e a chuva sempre neste batente constante que ainda se mantém. Adoro dormir com o som da chuva mas não estou a ser capaz de adormecer com esta tosse acompanhada desta brutalidade que ecoa de todas as direcçoes. Tive que trazer os cactos para dentro , quando vi já andavam os três de reboleta pela varanda abaixo. Logo estes que plantei eu, que criei eu desde que uma amiga me arrancou as podas do jardim dela. Fantástico este mundo da botânica onde, por vezes, gosto de enveredar. Não tenho a televisão ligada porque gosto deste som da chuva forte, das rajadas de vento cortante, das goteiras e gosto de sentir que trouxe para casa tudo o que pudesse voar. Quem viveu o Leslie aprende alguns coisa e Elsas pode haver muitas mas o seguro morreu de velho e em calhando agora acontecem menos desgraças. Que isto das tempestades já vai fazendo parte das nossas vidas e já estamos todos mais preparados para isto. Ordeiramente toda a gente coloca os carros debaixo de tecto, tapando as garagens uns dos outros. São as circunstâncias a que todos estamos sujeitos.

Nunca me lembro de tempestades destas (com nomes de pessoas) mas lembro-me de ser pequena e ouvir trovões e ver relâmpagos como poucas vezes mais vi. Lembro-me de estar horas com candeeiros a petróleo acesos, sempre que a luz falhava. Há uma magia num candeeiro a petróleo. O cheiro inconfundível, a chama e a pequena roldana que controla a sua intensidade, o líquido cor de rosa, o pavio de tecido que o toca, a chaminé delicada, rendilhada na ponta.. São as memórias da infância que jamais esquecerei.

Em noites de tempestade fico (quase sempre) acordada. Desde sempre..

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