26.

Dia 26.

Parece que o Natal está passado. Falta só a azáfama da troca de presentes. Na verdade tenho só que trocar umas peças que tinha comprado para mim. A pressa de não experimentar resulta nisto.

Daqui a nada estamos em 2020. O tempo voa. E que este ano termine. 2019 foi assim só o pior ano da minha vida.

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Já passou?!

Este ano confesso que tive alguma dificuldade em lidar com isto do Natal. Tive dificuldade nas compras, nas decorações, no pensar o que comprar para as crianças A e B, em pensar nos poucos (foi só um!) jantares de Natal.

Tive dificuldade em gerir uma cheia que me chegou quase à garagem, que por um triz não me levava pelos ares o meu carro. Estive isolada, pensei que não conseguiria sequer passar a consoada junto dos meus. É complicada a sensação de urgência, de catástrofe, de evacuação de populações que vês da tua janela, de veres a tua casa em imagens televisivas com a ameaça constante de que a água poderia chegar ali, e depois o rodapé constante com o nome da terra onde vives, do concelho onde votas e aonde quer queiras, quer não, também pertences.

O meu Natal foi diferente. Muito diferente. Foi preenchido de uma tristeza agreste, de uma sensação de vazio, rodeado de uma tosse persistente forrada a torcicolo dos gigantes. Estou há muitos dias com tosse, e a acompanhá-la um torcicolo sem igual. Os anti inflamatórios ajudam, o xarope também.

O Natal já passou. A sensação de vazio não. Ao longe ouço as risadas do meu pai e as suas gargalhadas inconfundíveis. Nunca é em dor que o recordo e que feliz fico por assim ser.

Feliz Natal!

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