Mum and Phone.

A minha Mãe tem 80 anos. Nasceu numa geração em que não havia electricidade, água canalizada, computadores, rádios, Internet, telemóveis e redes sociais. Com o decorrer da sua vida foi conhecendo tudo isto. Sem saber utilizar uma grande parte, obviamente. À minha Mãe faltou-lhe a grande possibilidade de ter sido escolarizada. Como filha mais velha, a quase todos os irmãos coube essa sorte menos a ela. Tenho a certeza que a minha Mãe seria das pessoas mais capazes, mais inteligentes, mais promissoras se tivesse tido essa oportunidade. Porque mesmo assim, ela foi e é a mais valente, a mais audaz, a mais desenrascada das mulheres. Mesmo com o esquecimento que teima em a tramar e a faz esquecer onde pôs as passas,o cartão de cidadão ou o detergente da casa de banho. Mesmo assim. Mesmo tendo perdido o marido há dois meses e tenha preferido manter a vida tal como ela era, mesmo quando insiste em plantar a horta, em arrancar as ervas, como se lá do céu o meu Pai lhe desse as indicações da sementeira e lhe desse um empurrãozinho nas costas para que consiga a labuta do dia a dia (como nas rampas quando vamos de bicicleta e nos dão uma ajudinha para subir).

A semana passada o telemóvel da minha Mãe avariou. Tocava, ligava, fazia chamadas, eu ouvia a minha Mãe a falar mas ela não ouvia nada, nem uma vez, nem outra, nem outra. Ficou desesperada. O telemóvel da minha Mãe era um daqueles simples. Ela não sabe ver a lista telefónica, as SMS, e os números não atendidos. Sabe marcar as teclas de marcação automática com os números previamente decorados numa cabeça que já está muito mais baralhada do que há uns anos.

Graças a Deus a minha Mãe (e eu) temos o apoio do meu irmão, da minha cunhada, da minha sobrinha, dos amigos e vizinhos (com que, agora, sabemos que podemos contar). Era urgente comprar um telemóvel à minha Mãe. Tal como os adolescentes, a minha Mãe estava desorientada sem o telemóvel.

Já tem um novo. Anda sempre com ele no bolso, e atende sempre com aquele ar de expectativa, agora com aquele medo de que algo possa acontecer também a este. Ainda tem receio de carregar nas teclas de marcação automática porque a ordem e os nomes mudaram e o esquecimento baralha-lhe a aritmética. A minha Mãe tem 80 anos mas para mim é como se tivesse 30 e a força de uma vida. É como se me visse ainda pequena, atrás dela sempre, e a repetir constantemente “Não é minha avó é minha Mãe!”

A minha Mãe tem um telemóvel novo. E é de teclas claro, como ela gosta!

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Friday.

Sexta feira. A primeira do ano. Segunda feira já trabalho e portanto este é o meu último lazy day. Aquele onde posso dormir até mais tarde. Sonhar se conseguir, acordar e voltar a deitar. Tenho trocas para ir fazer, encomenda (já paga vejam só!) para ir levantar, os saldos a bombar e onde é que prefiro mesmo mesmo estar? Isso, na cama. A dormir.

Bom dia para esse lado

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