75 anos depois.

Costumo dizer muitas vezes que alguns livros me mudam. Assim como algumas situações. Assim como alguns vídeos. Assim como alguns filmes. Assim como algumas frases. Assim como alguns momentos.

O ano passado li um livro “O Tatuador de Auschwitz” que mudou totalmente a forma como pensava o Holocausto. De tremendamente bem escrito, ao facto de ter sido uma história real, senti, ao ler, que quase atravessava aqueles pátios, aqueles edifícios. Foi um livro extraordinário, impactante, muito poderoso e que me marcou muito. Lembro-me de treinar à pressa para ir ler o livro, de ler enquanto cozinhava, em todos os pequenos intervalos que tinha. Esse mérito não é para todos. É só para quem consegue escrever livros que cativem desde a primeira frase. Tenho muitas amigas que não gostaram mas cada um terá a sua opinião.

Auschwitz foi muito sério. Foi muito duro. Muito cruel. Muito violento. Muito fora de tudo o que deve ser a realidade humana. Custa pensar em como tudo aquilo pode ter acontecido, em quantas mil histórias se dividiu aquele horror.

Ontem passaram 75 anos da libertação. 75 anos. Se calhar é como se não tivesse passado tempo nenhum. Porque há acontecimentos que nunca deviam ter data para se assinalar. É como uma ferida aberta a cada hora que passa.

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