Laser Diodo, a minha experiência.

Há muitas coisas na vida que nunca experimentei, muitos sítios, países, locais onde nunca fui, muitas comidas que nunca provei, muitos espectáculos e artistas que nunca vi, muitas experiências que nunca experienciei. Umas porque nunca calhou, outras porque não me interessam, outras porque ainda não foi chegado o momento.

Lembro-me que há 20 anos quando fiz madeixas pela primeira vez havia décadas que já as minhas amigas tinham experimentado, em várias cores e por várias vezes. Quando fiz unhas de gel pela primeira vez já havia pessoas enjoadas e fartas de as usar.

Comecei a fazer depilação com cera aos 13 anos, mais ou menos ali pela mesma idade em que comecei a trabalhar e a amealhar o meu dinheiro. Para os anos 90 era um procedimento caro, doloroso mas que percebi de imediato que poderia ser a única solução para o meu caso, porque tinha, de facto, muitos pelos. Tinha quase arrancado um bocado de carne com a lâmina a primeira vez que usei uma Gillette e jurei para nunca mais.

Andava há muitos anos para fazer depilação a laser. Nunca me tinha decidido verdadeiramente. Inicialmente achei os preços exorbitantes e proibitivos, depois achei que poderia ser doloroso ou causar problemas. Deixei passar muitos anos para perceber se era um método seguro, se havia de facto provas de que era eficaz e se se tornava mais acessível à bolsa e à carteira.

Há cerca de um mês comecei este processo, optando pelo Laser Diodo. Em conversa com uma amiga, ela já andava, eu conhecia a rapariga que me iria fazer e portanto aliei um preço relativamente em conta à oportunidade de finalmente fazer algo que queria fazer há muito tempo.

Mais de 30 anos de depilação a cera, fizeram com que não tivesse muitos pelos, e portanto o processo sairia facilitado. Não tinha qualquer receio das máquinas, da dor, do processo em si.

Tal como previa não senti praticamente dor. Logo na primeira sessão foi-me aplicada uma potência elevada por terem percebido que não sentia dor. Já fiz 2 sessões e estou muito satisfeita com o resultado. Não sei como será o futuro, se será definitivo, se precisarei de fazer manutenções, se de facto os pelos nunca mais voltarão a crescer. Sei que é um descanso que há muito queria, uma sensação de limpeza que há muito anseava e acho que já devia ter feito isto há muito, muito tempo.

Para quem anda no ginásio e como eu treina sempre de mangas cavas, para quem gosta de andar de calções, para quem gosta de ir à piscina seja Verão ou Inverno, então este tipo de depilação é o indicado.

Não há grandes contra indicações, só não apanhar sol nos dias imediatamente a seguir às sessões e entre sessões não arrancar o pelo com cera ou máquinas de depilação que arranquem pela raíz. Eu, sou sincera, nunca mais voltei a arrancar pelos. E tenho já poucos, muito poucos.

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February last day.

Último dia de Fevereiro.

Não percebi se é de chuva, se é de sol, se é de preguiça, se é de exercício, se é de estudo…

Amanhã começa Março e é um dos meus meses favoritos..

Bom dia para esse lado

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Órfã de Pai.

Há um ano jamais acreditaria que iria perder o meu Pai antes da minha Mãe. Sempre achei que o meu Pai cá estaria para nos ajudar com a terrível doença que ataca a minha Mãe e que, Graças a Deus, ainda não se manifestou de forma gritante embora a cada dia se perca (mais) uma réstia da memória.

A vida dá muitas, inúmeras voltas. Nem sempre estamos preparados para elas. Nuns dias achamos que somos valentes, noutros uns gigantes com pés de barro, e noutros desatamos num pranto com o primeiro amigo/conhecido que nos aparecer à frente. Os dias são todos diferentes e nós, tal como a meteorologia, podemos prever como estaremos mas também poderemos falhar. Não sei se é das hormonas, do ciclo menstrual, do facto de ser mulher, do facto de ser caranguejo, enfim, não consigo estabelecer uma relação causa efeito. Sei que em alguns dias me esbardalho na auto estrada das emoções e choro quase de manhã à noite.

O meu Pai faz-me falta todas as horas dos dias mas faz falta à minha Mãe todos os segundos das horas. Todos. Porque o meu Pai era a bússola que a orientava na desorientação que a doença tantas vezes lhe trás. A minha Mãe não consegue aprender, fixar, memorizar. Tem um telemóvel novo e demorou quase um mês a perceber em que teclas clicar para fazer uma chamada. Só sabe atender. Eu sei que ela não me liga não por não se lembrar de mim ou por não querer saber. Ela não me liga porque não sabe como fazer. Olha para um telecomando de uma televisão como eu olho para o cockpit de um avião. A auto estrada do seu conhecimento tem inúmeras vias cortadas, daquelas de terra batida em que é preciso desbravar a erva para se passar. Depois de limpas até um camião lá passa, mas em bruto nem com carro de mão.

O meu Pai era o mais inteligente e cheio de destreza dos Homens. Sabia um bocadinho de quase tudo tirando algumas excepções como a cozinha em que era um zero à esquerda. Mas sabia de electricidade, de canalização, de pedreiro, de carpinteiro, de jardinagem, agricultura e de tudo o que fosse engenhocas. Sinto falta da sua destreza, da forma sábia como me resolvia os problemas (no último ano de vida perdeu todos os interesses). Sinto falta do que não lhe cheguei a dizer (isto que aqui escrevi agora por exemplo), dos sítios onde não fomos, onde não o levei, e de como devíamos ter aproveitado a vida enquanto era plena.

Ficou um vazio gigante, abismal, que nunca será preenchido. Nunca. Jamais. Em tempo algum.

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Bom dia, quinta feira.

E quando do nada o pequeno fica com febre, logo na altura em que era preciso ir trabalhar e retomar a escola e as rotinas..

Nunca sabemos como vai ser o dia de amanhã..

Bom dia para esse lado.

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Looking at the stars.

Sempre que olho o céu, sei que ele agora está diferente. Está mais brilhante, mais luminoso. Tenho saudades do meu Pai. Muitas, Imensas. É no cemitério que me sinto mais perto dele. É lá que me apetece contar-lhe aquilo que me vai acontecendo. E é por isso que não aprecio ir ao cemitério acompanhada. São momentos só meus e partilha-los é como escrever neste blog, prefiro sempre fazê-lo sozinha.

Boa Noite.

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