Racismo ao nosso redor…

Passa-se tanta coisa, todos os dias. Tanta coisa que gostaria de aqui trazer. Mas nem sempre consigo. Tenho sempre opiniões sobre as coisas mas falo pouco para as poder expressar. Estou com poucas pessoas, a nível laboral não tenho grande abertura para abordar certos assuntos porque estou sempre em representação da entidade para a qual trabalho e é assim. Ou escrevo aqui ou vão passando por mim os assuntos.

O caso Marega fez-me reflectir (mais uma vez) sobre o racismo e de como, nos dias de hoje, ainda existe. E parece que numa base diária. Já aqui escrevi sobre o racismo, sobre como é coisa com a qual não compactuo, criada que fui e educada que sou para respeitar todas as cores de pele e todos os estratos sociais. Não consigo conceber como é possível, como nos dias de hoje, ainda possam existir pessoas que educam os seus pequenos filhos, incitando-os a não brincarem com outros meninos só porque são pretos, amarelos ou de qualquer outra cor. Graças a Deus educo um filho que me faz (tantas horas caramba!) a cabeça em água, mas que é INCAPAZ de gozar com outros, de ter atitudes racistas e que é o primeiro a abdicar de prendas dos colegas que ele sabe terem mais dificuldades. Cresceu misturado com meninos de outras cores, credos e culturas e habituou-se a não gozar com o cheiro da comida indiana nas sacolas dos colegas, ou perceber porque tinham que ser de outro animal que não o porco, as salsichas dos hot dogs de alguns amigos. Tenho a certeza que não é racista. Assim como eu. É por isso, para mim, difícil de aceitar, complicado de engolir, que isto se passe com pessoas que já tinham idade para ter juízo. Sinto-me envergonhada se perceber que vivo num país racista porque o pequeno cogumelo onde cresci, lá onde há pouco mais do que aquilo que é verdadeiramente necessário, sempre me ofereceu turmas em que pretos e brancos eram fifty/fifty. E sempre percebi que éramos iguais, sendo que para mim eles eram superiores porque a maioria já tinha andado de avião e eu só viria a andar aos 23..

Acho muito bem que sejam punidos aqueles que pensam, e pior, agem com actos racistas. Não deveriam nunca mais dormir uma noite descansada. Tipo acordar de meia em meia hora, que isto para pessoas como eu, para quem dormir é só assim o único luxo, é de facto perturbador.

[O castigo poderia igualar-se para os racistas e para os que maltratam os animais, enquanto se pavoneiam por aí armados em pseudo chiques, só que não].

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