Bom dia!

Mais um dia em casa. Nem sei bem como vai ser. Falta ultimar um trabalho e o pequeno entra de férias.

Há roupa para por a lavar, outra para passar, exercício para fazer, o sol já brilha lá fora. Leio agora as manchetes dos jornais que dizem que a quarentena só acaba lá para Junho e ponho-me a pensar que importante, importante é ter saúde. Se se têm que estar em casa para isto passar, que assim seja. Mas e se não passa?! Até quando continuarão a morrer, diariamente, milhares de pessoas?!

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18/…

Juro que ontem e hoje comecei a flipar. Os números são (em todo o lado, em todo o mundo) assustadores e dou por mim a pensar se isto levará meses a passar.

Estou um bocadinho farta desta masmorrice, logo eu uma pessoa que sempre se aguentou tão bem em casa. Não tenho lentes de contacto logo tenho que andar sempre de óculos. Detesto andar de óculos, magoam-me atrás das orelhas, escorregam-me do nariz, batem-me nas pestanas, tenho a graduação a léguas daquilo que preciso. Já estou farta de fatos de treino e de chinelos e de ver notícias e estar viciada em vê-las. Hoje tive que ir ao supermercado e por momentos, tirando o ambiente aterrador que se vive no país lá fora, pensei que tudo estava normal. Esqueci-me da actualização da DGS e passada uma hora ainda não sabia os números de hoje. Esqueci-me. Por momentos consegui esquecer-me. E isso foi algo que me deixou a pensar. Seria a pessoa da caixa do supermercado a dizer-me “então os números de hoje foram melhores…” E tchanam, abri os olhos e voltei à real…

Há pessoas a quem lhes parece todos os dias domingo. Ainda bem que isso não me acontece..Continuo, como outrora, a detestar domingos e isso seria, para mim, ainda muito pior.

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17/…

Saio muito pouco de casa. Quase só vou despejar o lixo mas por vezes sinto uma necessidade enorme de apanhar o ar da rua, que não, não é aquele que apanhamos na varanda. Tenho a sorte de poder fazer caminhadas sem avistar vivalma, estar apenas rodeada de ervas, ervinhas, flores e florzinhas.

Sinto uma ansiedade enorme com os números que nos chegam diariamente. De todos os lados, os nossos, os de Itália, de Espanha primeiramente e depois em decrescendo com os outros países. De facto há líderes de potências mundiais que abomino para não dizer que detesto. E que têm posturas tão inadequadas em tudo isto que nem os consigo ouvir..

Já ouvimos todos diferentes datas para o pico da pandemia no nosso País. Já ouvi 9 de Abril, 14 de Abril, inícios de Maio e agora vai em finais de Maio e eu tenho muito medo do que ainda aí vem. Medo, muito medo mesmo.

Hoje foi o 17 dia, para 40 ainda faltam alguns.

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15/…

Não faço eu, nem ninguém, ideia de como e quando isto irá acabar. Por isso começo a não me permitir iniciar os dias de pijama. É tirar logo o pijama e sim dar um ar na cara, fazer de conta que se penteia o cabelo e poder andar de peúgas brancas, mas tirar o pijama. É obrigatório tirar o pijama.

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Do exercício.

Das únicas coisas que me têm salvado nesta quarentena é a quantidade de exercício físico que tenho feito em casa. Em frente à televisão, no Youtube.

Há muitos anos, era o pequeno bem pequeno, fazia aulas de step com uma rapariga no Youtube, rapariga essa com que haveria de vir a trocar muitas mensagens. Nunca perdemos o contacto, ela na altura solteira, hoje casada com dois filhos pequenos. Ontem fiz uma aula dela de GAP (Glúteos, Abdominais e Pernas) que é assim aquele tipo de exercícios para matar, mas que resultam quase na hora. Foram 50 minutos muito puxados mas que souberam muito bem. Para quem quiser experimentar, aqui vai a sugestão (as imagens não têm definição porque são antigas mas dá para fazer):

Neste período de quarentena interessei-me muito sobre o que poderia fazer de exercício em casa, sem ser só na bicicleta elíptica. Há inúmeras opções, inúmeros ginásios que adaptaram aulas para o online e que têm inclusive um mapa de aulas diferentes a cada hora do dia. Não há cá desculpas.

Encontrei no Youtube uma conta que se chama “Exercício em casa” que junta uma série de professores brasileiros, 2 mulheres pelo menos e um homem. São aulas não muito longas, algumas com temporizador no écran e que são muito agradáveis de fazer. Uma das que fiz primeiro (mas já fiz várias) foi esta que se segue.

Já esta semana descobri a Tabata, um tipo de treino com o claro objectivo de perder gordura e que é um treino intervalado, basicamente treinamos em alta intensidade durante 20 segundos, descansamos 10 segundos e repetimos o processo 8 vezes (com exercícios diferentes).
O método Tabata é altamente regenerador porque nos faz gastar imensas calorias em pouco tempo (por norma as rondas duram uns 7, 8 minutos). Há imensas opções na Internet, no Youtube, no Instagram. Deixo aqui o link da nórdica com que ando a fazer estas aulas:

Há inúmeras opções, para quem tiver um bocadinho de tempo para dedicar ao desporto e ao exercício, aqui estão algumas ideias.

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Do que o vírus me levou…

Desde que fiquei em quarentena (cumpro hoje o 14 dia) houve coisas que nunca mais fiz.

  • Nunca mais voltei a vestir-me como deve ser. Com roupa normal, diga-se. Visto sempre roupa desportiva, de ginásio.

  • Nunca mais calcei nada além de ténis, que vou alternando e deixo fora de casa.

  • Nunca mais pintei unhas, coloquei anéis, pulseiras ou relógios (para além da pulseira que me conta os passos e as horas de sono).

  • Nunca mais consegui ler como deve ser. Sinto que não me consigo concentrar.

  • Sempre que saio não vejo a hora de regressar, como se não me sentisse bem lá fora, como se só aqui dentro fechada possa ajudar na salvação do mundo.

  • Tenho a televisão quase sempre ligada, mas quando “abre a escola” é apagada para não distrair.

  • Não sabia que se gastavam tantos guardanapos de papel e que se cozinhava tanto. E que tinha tão poucos pratos de uso comum.

  • Parece-me distante aquela sociedade em que saíamos para jantar fora, com amigos, ou simplesmente para dar uma caminhada. Aquele tempo em que tudo estava aberto, desde lojas a organismos públicos.

  • Descobri hoje que o meu médico de família deu ao slide e agora tenho outra médica, que desconheço, mas de quem já tenho o número de telemóvel. Sempre bom numa altura caótica destas, saber que não se tem médico de família. Nem quero imaginar se não me tivesse lembrado de ligar hoje para o Centro de Saúde.

  • Não tenho tempo sequer para fazer uma passagem de creme nas pernas, quanto mais para pensar no laser diodo que ficou adiado por tempo indeterminado…

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Bom dia.

Acordo cedo, sem perceber muito bem como vai ser o dia. De cada vez que acordo tenho sempre esperança que isto não esteja a acontecer, que seja tipo um filme, que não seja a realidade. A morte diária de milhares de pessoas pelo mundo,o estar confinada em casa pela mesma razão, pelo medo que nos prende, pelo isolamento que é aparentemente a única solução para nos salvar. E ter a clara sensação, quase certeza, que os números não são os reais, que há muito mais. Ver pessoas totalmente relaxadas com a situação, a achar que nunca lhes acontece a elas..

Estou acordada há mais de uma hora, meia perdida. As notícias trazem ansiedade, já sabemos todos lavar as mãos, e lavo o chão com lixívia coisa que nunca fiz. Só saio de casa para ir ao lixo e não toco em maçanetas e em portas, e em superfícies. Não toco em nada. Não sei em que dia da semana estamos. Ando ansiosa, tenho um aperto que não sei como resolver e temo por tudo isto. Isto não é brincadeira. Não é mesmo.

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