Covid 19.

Lembro-me do meu Pai todos os dias e em praticamente todos os assuntos mas há alguns em que me lembro mesmo muito.

Tento imaginar como seria a reacção dele a este Covid19, este vírus epidémico que está a tomar conta de todo o Mundo, a provocar alterações globais na economia, nas rotinas e nas vidas de todas as pessoas em todo o Mundo. Ele era o mais desenrascado e engenhocas dos homens e o Homem mais medroso e hipocondríaco que conheci (conheço uma mulher que é mais e não, não sou eu!). Infelizmente não o tenho mais comigo, mas é como se (ainda) falasse com ele todos os dias (gosto de fazer estes exercícios imaginários) e sei que bem aflito andaria.

O meu Pai não está mais entre nós mas deixou em mim todos os seus genes. Nisto, como em muitas coisas, somos parecidos. Sou de lágrima fácil como ele, sensível como ele, cumpridora como ele no que à saúde diz respeito, e cheia de garra (muitos dias). Deixou cá a sua marca e que orgulho tenho nisso.

Este Covid19 é assustador. A forma como se propaga, a forma rápida com que se contagia, e a forma rápida com que cruzou todo o Mundo. Estamos agora na fase da contenção e começam a haver alterações no nosso quotidiano. Eu, decidi, por minha conta e risco, deixar de ir ao ginásio até esta fase acalmar. Nas últimas vezes que fui (na semana passada) dei-me ao trabalho de observar à minha volta e verifiquei que um grande número de pessoas não usa toalha, transpiram como animais e não limpam as máquinas depois da sua utilização. Não havia em todo o ginásio uma embalagem de gel desinfectante e a senhora da limpeza por mais que trabalhe bem (que trabalha) não dá à conta, sozinha, num espaço onde passam nesta altura quase mil pessoas diariamente. Ontem fiz questão de ligar para o ginásio e dizer de viva voz tudo isto, da forma irresponsável com que o ginásio estava a lidar com esta situação e da minha decisão de cancelar temporariamente as minhas idas. Não sei se teve repercussão, se estão a ser tomadas medidas, mas para mim não faz sentido nenhum correr riscos desnecessários.

Há um abrandamento gigante do número de pessoas nos shoppings. Nota-se mal se entra no parque de estacionamento pelo número de lugares vagos e pelo número (mínimo) de pessoas que andam nos corredores. Frequento shoppings e lojas de distribuição diariamente em trabalho e consigo aperceber-me muito facilmente disto.

Estou assustada sim. Não sei como me proteger porque o mal disto, para mim, é podermos estar com problemas sem qualquer sintoma, o que faz de nós, de quem nos rodeia, dos vizinhos, conhecidos, uma fonte possível de contágio. É o tempo certo para devorar livros, para gastar umas horas no Netflix, para estar em casa no sofá e nas almofadas confortáveis.

Não sei como está o nosso País preparado para isto, para o que vier. Estou apreensiva porque não sei em que ponto exacto estamos. E isso assusta. Porque sou filha do meu Pai e porque quero viver o que ele não viveu.

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