De como um vírus nos isola.

Por coincidência ou não, os primeiros dias de isolamento culminaram quase em paralelo com umas enxaquecas terríveis aqui para o meu lado.

Ontem ao que soube esteve um dia espectacular. Calorzinho, céu azul, um dia mesmo de Primavera daqueles bons para passear pela Natureza. Para o meu lado a enxaqueca foi tão forte que vomitei mais de 10 vezes, já não tinha nada para vomitar e até as entranhas me saíam. Mau demais para ser verdade. Mas foi e foi o meu primeiro sábado de quarentena.
O que é certo é que estou em isolamento desde quinta feira. Saí na sexta porque percebi que, para quase um mês com um pequeno em casa, precisava de muito mais mantimentos. Não fui comprar em exagero, fui comprar para quem vai cozinhar diariamente ao almoço e ao jantar e mais lanches. E este pisco é de ondas, tanto como como um desalmado como não come nadinha.

Tenho estado sempre em casa. Aqui, como no resto das casas, o ponto alto do dia chega com a actualização da DGS com o número de casos. Dos infectados aos curados, aos mortos, e à distribuição por zonas. Que isto de estar aqui e parte de coração estar distribuída não mata mas mói. Tenho medo deste vírus, tenho medo que a maioria das pessoas não perceba a tempo que têm mesmo que ficar em casa. Que isto não acontece só aos outros e que é mais do que tempo de cada um fazer a parte que lhe toca. Sei bem que muitos não gostam, não suportam estar em casa. Nos dias de hoje, com Internet, com Netflix, com jogos electrónicos, com livros disponíveis em plataformas, com lojas de livros ainda abertas onde se podem fornecer (tenho sempre livros na calha para ler), com n videos de YouTube de horas e horas de exercício físico, aulas de Zumba, pilates, alongamentos, abdominais, CrossFit, não há a mínima desculpa para se aborrecerem. Dá para ver aquele filme, aquela série, fazer aquelas arrumações, aquela receita de bolo de banana que vimos na blogger X ou experimentar os exercícios que vimos no PT Y. Há muita coisa que se pode fazer, sem estar sempre a matutar no que nos pode vir a acontecer. Que pode ser muito mau e triste.

Hoje ainda tive enxaqueca, durou mais do que 24 horas sem nunca se ter ido embora, de noite e de dia. Consegui agora uma aberta para escrever.

É altura de cada um cuidar de si para assim cuidarmos todos uns dos outros.

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