Stay Home 7/…

Dia 7 de um total que se desconhece. Não sei quanto tempo isto vai durar. Uns dizem que já não vai haver escola este ano, outros dizem animadamente que a tempestade há-de passar… Não sei quando nem como, vamos sair disto… Sei que me aflige e começo até a ter pesadelos, sonos mal dormidos, aflições..

O que faz uma pessoa fechada em casa com um miúdo de 12 anos cuja escola manda trabalhos de forma a cobrir as aulas todas?! Bem sei que são muitas horas, que o ritmo não pode parar, mas eu não sou professora e não tenho a matéria do 7 ano toda ao dispor. Ontem tive que ir aprender conceitos como metamorfismo, diagénese e consolidação para a ficha de ciências, locução adverbial de modo, de tempo e de lugar para a de português e pesquisar sobre Fernando Pessoa para um apresentação oral em que vou ter que o gravar num telemóvel. Tem também um candeeiro para desenhar para ET e um cartaz de prevenção rodoviária para EV. Entre isso lavo portadas, cozinho desalmadamente, lavo louça, estendo e apanho roupa e limpo calhas e vidros, passo lixívia em tudo e ainda preparo os ingredientes para que ele consiga fazer bolachas, que é preciso controlar no forno e que depois, sob pena de sairmos todos irreconhecíveis desta quarentena, convém, no meu caso, não comer.

Consegui perceber que estar de pijama dias inteiros não poderia ser a regra e comecei a vestir roupa desportiva/confortável. Não me maquilho e portanto estou sempre assim assim. Vou ao lixo porque encho um saco por dia e ao meu supermercado improvisado que está na garagem e onde preciso de me ir abastecer. O ar que apanho é o da varanda. Tão só e somente.

Hoje é o meu 7 dia de quarentena. Se me perguntarem se é fácil, respondo logo que obviamente não. Uma coisa é estarmos em casa porque queremos, outra é porque tem que ser. Estou muito atenta às notícias mas se a casa se torna numa escola também tenho a televisão desligada muito tempo e o telemóvel longe de mim. Isto pode durar muito tempo e temos, todos, de aprender a viver com esta realidade.

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