Do que o vírus me levou…

Desde que fiquei em quarentena (cumpro hoje o 14 dia) houve coisas que nunca mais fiz.

  • Nunca mais voltei a vestir-me como deve ser. Com roupa normal, diga-se. Visto sempre roupa desportiva, de ginásio.

  • Nunca mais calcei nada além de ténis, que vou alternando e deixo fora de casa.

  • Nunca mais pintei unhas, coloquei anéis, pulseiras ou relógios (para além da pulseira que me conta os passos e as horas de sono).

  • Nunca mais consegui ler como deve ser. Sinto que não me consigo concentrar.

  • Sempre que saio não vejo a hora de regressar, como se não me sentisse bem lá fora, como se só aqui dentro fechada possa ajudar na salvação do mundo.

  • Tenho a televisão quase sempre ligada, mas quando “abre a escola” é apagada para não distrair.

  • Não sabia que se gastavam tantos guardanapos de papel e que se cozinhava tanto. E que tinha tão poucos pratos de uso comum.

  • Parece-me distante aquela sociedade em que saíamos para jantar fora, com amigos, ou simplesmente para dar uma caminhada. Aquele tempo em que tudo estava aberto, desde lojas a organismos públicos.

  • Descobri hoje que o meu médico de família deu ao slide e agora tenho outra médica, que desconheço, mas de quem já tenho o número de telemóvel. Sempre bom numa altura caótica destas, saber que não se tem médico de família. Nem quero imaginar se não me tivesse lembrado de ligar hoje para o Centro de Saúde.

  • Não tenho tempo sequer para fazer uma passagem de creme nas pernas, quanto mais para pensar no laser diodo que ficou adiado por tempo indeterminado…

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