Ginásio em casa aos 48/…

Esta coisa de estar fechada em casa há 48 dias sem saber quando o trabalho recomeça e sem perceber muito bem como vai ser o regresso atribulado a um trabalho em que, por vezes, visito 10 supermercados numa manhã, dá-me cabo da cabeça. Como vou fazer? Mudo de luvas de cada vez que entro e saio do carro e entro num supermercado?! Coloco uma máscara diferente?! Andarei descansada e tranquila?!

Os ginásios não sei quando irão reabrir mas recebi de novo o e-mail do meu a solicitar autorização para os débitos directos: dão 3 alternativas sendo que a primeira, para continuar com a suspensão não obriga a que se faça nada. Desta vez, meus senhores não vos posso ajudar. Estou sem ganhar dinheiro e não consigo mesmo ajudar, quando os outros débitos me caem na mesma e há que gerir o homebanking de outra maneira. Honestamente não sei se volto ao ginásio. Descobri o exercício em casa, e tenho feito muito mais do que aquilo que faço no ginásio. Se as novas regras implicam que só se possa estar uma hora no ginásio (cada cliente) sendo que demoro sempre 20 minutos na passadeira, 14 no remo, e outros 20 na bicicleta sentada, não sei se adianta deslocar-me cheia de medo para usar 2 ou 3 máquinas. Ainda é algo em que tenho que pensar. Vão perder muitos, muitos clientes neste ano tenho disso a certeza absoluta.

Tenho um histórico no Youtube que pesquiso regularmente e alterno dia a dia as aulas e o tipo de exercícios: nuns dias faço treinos de glúteos, noutros de braços, o de abdominais faço todos os dias, faço aulas de step, de localizada, tabatas. Estes exercícios posso fazer com as aulas online que os Municípios disponibilizam, com ginásios a dar aulas online, com brasileiras, nórdicas, ou norte americanas. Há imensas tabatas com asiáticos, grupos, aulas curtas e super eficientes. Com esta oferta, com uma imagem boa na televisão, com a cozinha e água à distância de 3 passos, com possibilidade de fazer, interromper e parar quando quero (posso ir à casa de banho e ficar de top se tiver calor sem ter problemas que alguém me veja a barriga), com estas condições, gratuitas, como posso sequer equacionar arriscar voltar ao ginásio e apanhar a porra do vírus porque alguém espirrou e agarrou nos mesmos pesos que vou agarrar a seguir?! Preciso de ir comprar algum equipamento à Decathlon mas é quase certo que aqui continuarei nestes treinos em casa.

**

Netflix – Séries que vi.

Tenho tido muito tempo como quase todos nós. Já aqui o disse que a grande alteração da minha vida do antes da pandemia, não foi o aumento exponencial de livros que li, de filmes, séries ou televisão que vi, foi o incremento do exercício físico que tenho feito. Essa foi a grande alteração para além das limpezas e arrumações mais profundas daquelas que não se fazem nem todas as semanas, nem sequer todos os meses.

Tenho visto algumas séries na Netflix. A Netflix é um mundo. Para além de séries, tem filmes, documentários, programas variados. Confesso que me falta a paciência para a explorar de forma mais aprofundada e descobrir coisas.

De séries vi todas as temporadas de: Sex Education que adorei (estou sempre a espreitar para ver quando chegam novos episódios); Método Kominsky (gostei moderadamente, não me parece que estejam para aparecer novos episódios dada a idade dos protagonistas); Limitless (muito boa na minha opinião, com um bom argumento e uma excelente interpretação dos actores principais, a série é baseada no filme com o mesmo nome); Virgin River (também gostei muito, uma série levezinha, sem grandes enredos complicados, que se vê bem nestes tempos de quarentena); Dead to me (ainda só vi uns 3 episódios, aquelas séries como o arroz sem sal, nem aquecem nem arrefecem, nem se sente curiosidade de ver o episódio seguinte); a última Ozark (de todas a melhor! uma série com uma trama complexa, um enredo pesado, muito violenta em grande parte dos episódios, com uma tensão crescente mas daquelas que é impossível parar de ver, porque a trama está tão bem engendrada que apetece continuar a ver até ao fim. Prende desde o primeiro minuto, excelentes interpretações de todos os actores. 3 temporadas que ainda não terminei (estou na última), e que recomendo vivamente).

Há muito mais coisas para ver, mas não gosto de ver séries ou filmes compulsivamente. Tal como os livros, gosto de ver pausadamente.

**

47/…

Segunda feira. Arranque de uma nova semana. Confesso que começo a flipar. O pequeno acorda às 7 e pouco para ver vídeos no YouTube no telemóvel, antes das aulas por videoconferência começarem, eu acordo, visto-me e arranjo-me e dou início às tarefas domésticas.. (uma maravilha).

O tempo está super estranho. Cinzento, Cinzento…

**

45 de Confinamento, 46 de Liberdade…

Ouvi em directo através das redes sociais, o hino nacional em duas Câmaras Municipais. Confesso que chorei como quase sempre choro de cada vez que ouço o hino, e porque me lembrei muito do meu Pai e de como este dia era importante para ele. Tenho um nó no estômago, na garganta, no coração, porque sinto a falta do meu Pai a todas as horas e minutos de todos os dias. Recordo-lhe o sorriso, a sua forma debilitada nos últimos tempos quando lhe dava banho, quando lhe fiz a barba na cama de hospital, menos de uma semana antes de partir, na forma efusiva com que sempre comemorava este dia. É com ele que vou buscar a força que tantos dias me falta.

Abril deu-nos também a liberdade de, até em tempos de confinamento, podermos fazer uma caminhada. Pôr os pés bem assentes no verde e comemorar Abril ainda que de outra forma.

Em mim estarão gravadas todas as músicas de Zeca Afonso que sei de cor, todos os dias iguais ao hoje que comemorei junto dos meus Pais. Nunca esquecerei as vivências com os meus Pais. São os pilares da minha Vida.

Viva Abril!

**

44 and counting…

Desde que a pandemia começou já devo ter sentido que apanhei o Covid 19 umas 20 vezes. Tenho alturas em que acho que tenho febre, outras em que tenho dores de estômago (e também acho que é Covid embora não esteja nos sintomas principais), outros em que parece que me falta o olfacto, outros em que a comida não me sabe a nada e acho que perdi o paladar, e outros, como hoje e agora, em que as dores de cabeça me parecem as tais cefaleias de que falam. Nestes períodos de confinamento tenho tido algumas dores de estômago, e algumas dores de cabeça. As de cabeça obviamente são mais incomodativas até pelo meu historial de enxaquecas, porque quando tenho dores de cabeça tendem logo a ser muito fortes. Não consigo ouvir qualquer som, tenho que ficar no escuro ou no lusco fusco e fico sem capacidades. Estive uma hora ou mais de manhã a arquivar papéis, facturas da luz, gás, água, cartas dos seguros. O meu sonho é ser aquela pessoa disciplinada que tem tudo organizado, sem falhas mas juro que há muito tempo que essa parte do arquivo não é feita a rigor. Comecei hoje e dependendo de até quando se mantém este estado de emergência sou pessoa para conseguir organizar em bom uma série de dossiers. Ontem andei de volta dos meus armários. Vi que tenho de facto muita roupa e muitas das coisas não visto há imenso tempo. Quer se queira, quer não, mentalmente estou de luto e ainda não consigo vestir cores muito berrantes porque não é esse o meu estado de alma. Tenho sempre muita coisa para organizar mas nem sempre conseguia ter tempo. Tenho conseguido tratar de coisas que estavam penduradas. Há coisas que detesto fazer: limpar o vidro da lareira com aqueles produtos tóxicos mas altamente eficazes, lavar os filtros do exaustor, tirar manchas de bolor (com o produto mais espectacular que é o Cif elimina bolores), reciclar óleo das frigideiras (nunca deito óleo pelos canos, seja em que circunstâncias for) mas são coisas que têm que ser feitas. Tenho, de facto, feito muita coisa, muito trabalho doméstico.

Para ser sincera, estou fartinha disto. De limpar e de me fartar de ter Covid não diagnosticado.

**