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Eu nem sequer sou a mais forte das pessoas para encarar uma pandemia mundial deste calibre. Não vejo maneira de isto ter fim e mesmo que tenha um fim “legal” andarei apavorada desde que sair até chegar. Eu que trabalho em superfícies comerciais onde todos os dias passam milhares de pessoas.. Como vão ser os dias depois deste período de isolamento?!

Estou farta, fartinha da chico espertice que vejo nas redes sociais. Pessoas que se dizem exemplares do ponto de vista social e que depois na Hora H, para fazer um favor a um idoso, assobiam para o ar. Filhos da mãe!!! Nunca mas nunca mais olharei para estas pessoas da mesma forma. E se calhar percebo agora porque a vida também não lhes tem sido generosa.. E lançar dezenas de stories por dia, num emaranhado complexo e pouco interessante?! Nesta quarentena tenho visto as maiores aberrações de comentários nas redes sociais. Há um tipo de pessoa que sai do buraco para comentar publicações, utilizando a sua chico espertice. É um certo tipo de pessoas que raramente comentam sem ser para criticar. Podem ser teus amigos mas vão chamar-te “parva” , distraída, inocente, por não usares máscara ou por não desinfectares as compras do supermercado. São pessoas que se acham a última bolacha do pacote e quando olhas para o seu percurso (pessoal e profissional) vês o quão pobre e falhado é. Isto irrita-me profundamente. Agora que estou velha já não tenho pudores em lhes responder, assim por meias palavras (como eles fazem). Mas revolta-me até às entranhas porque pensei mesmo que fossem diferentes. Nesta quarentena têm-se revelado. E da minha parte nada mais será igual.

Para mim não há nada mais sublime que ajudar um idoso, sozinho, numa altura como esta. Para outros é muito mais importante fazer stories com as coisas mais banais que vão desde o que se come, ao que se bebe, e ainda se partilham fotos com mensagens motivacionais e de carácter humano. Haja paciência.

(Fica o meu desabafo. O acumular dos dias não ajuda).

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