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Esta coisa do confinamento, de estar fechada em casa, de na minha inocência ter achado que bastavam 15 dias em casa para esta porra passar, tem-me trazido também grandes análises sobre o que vai acontecendo na sociedade. Percebemos todos que temos que andar de máscara daqui para a frente e até não sei quando, que o distanciamento social vai manter-se por muito tempo, e que é preciso alertar os mais velhos para os perigos iminentes deste inimigo invisível, incolor, inodoro. Que não se sabe onde está, nem muito bem como se transmite, essa é que é a realidade.

A minha Mãe tem 80 anos. Está na idade de risco. Nunca mais a vi. Nunca mais lhe toquei, nunca mais lhe senti as mãos. A minha Mãe às vezes acorda e não se lembra da pandemia. É como se o mundo estivesse igual. Também lhe custa o confinamento. Gostava muito de ir ao supermercado de vez em quando. E nunca mais foi. Está em casa neste “rame rame” há muitos dias e ontem pediu para ir ao supermercado, ver umas coisinhas. Poderia ir só à mercearia de bairro que não se importava. Não há forma de lhe dizer que não. É um pedido legítimo, que todos entendemos. Lá foi ela, por momentos perceber, à maneira dela, como o mundo está.

[56 dias de exercício. Para este lado se falhei foi um dia].

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