Dias sem fim.

Há aquele ditado que diz “Não morreu da doença, morreu da cura” e de facto, há dias, em que parece que sairei deste confinamento num estado mental muito pior do que se calhar os sintomas que a Covid19 me poderiam trazer. Ou não. Não sei.

Desde há algum tempo que uso máscara em sítios fechados e comecei a utilizar em alguns espaços abertos também, nomeadamente se estão pessoas em volta. Percebo que não tenho grande pulmão, que muitas vezes fico com um cansaço extremo, extenuante, com uma sensação de cansaço no peito que me incomoda. Não sei se isto acontece com mais pessoas, se me acontece só a mim. Sei que fico como se tivesse corrido uma meia maratona (não sei, nunca corri, mas deve ser mais ou menos assim).

Tenho vivido tempos complicados. A morte, essa senhora vestida de negro, tem feito visitas a pessoas chegadas. Perder familiares custa sempre muito, perder pessoas jovens com a minha idade que cresceram connosco, faz-nos perceber que a linha que separa a vida da morte, é de facto, muito ténue. E isso é, para mim, verdadeiramente assustador.

Não consigo tirar o preto da minha alma, nem da minha roupa, mas pelo menos obrigo-me a conseguir vestir umas calças de ganga e uns ténis com pequenos apontamentos coloridos.

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